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Sabia? Um país dentro de Minas: a história da República de Manhuassu



A derrota política pela Prefeitura de Manhuaçu que levou a uma invasão armada e à criação de um país que teve até moeda própria, o boró


Você sabia que já existiu um país dentro de Minas Gerais? Essa história ocorreu em Manhuaçu, na Zona da Mata. Em 1896, o coronel Serafim Tibúrcio da Costa liderou um grupo de aproximadamente 800 homens armados na invasão da cidade. O bando decretou a região como um país independente: a República de Manhuassu. O país durou 22 dias, tempo que decorreu entre ocupação e a retomada da cidade mineira pelo Exército, e teve até moeda própria, o boró.


Além de delegado, o coronel era famoso na cidade por sua atividade de coletor de impostos. De acordo com pesquisa da Secretaria de Comunicação Social de Manhuaçu, durante o período em que morou lá, Serafim também acumulou denúncias de assassinato e outros crimes. Mesmo assim, chegou a ser prefeito, no fim do século 19.


A reviravolta ocorreu quando ele tentou se reeleger, mas foi derrotado. Serafim Tibúrcio não se conformou com o resultado e partiu para a capital mineira para falar com o Governador do Estado, Crispim Jaques Bias Fortes, que não deu ouvidos à reclamação do derrotado.


Ao retornar, Serafim encontrou a região do Bairro Coqueiro completamente desabitada pelo então Coronel Nicolau da Costa Matos (Ex-chefe do Executivo, o 3º Prefeito), nomeado delegado de polícia pelo novo prefeito, o Vigário Odorico Dolabela. Os moradores do bairro seguiram Serafim Tibúrcio para fora do município, em entendimento que o coronel se mudaria para Caratinga de vez, dando término à sua vida política.



Busto do coronel Serafim foi instalado na Praça Carlos Alberto de Castro


O coronel ficou fora de Manhuassu – na época o nome era escrito com "ss" – por mais de um ano, até retornar em fevereiro de 1896, acompanhado de mais de 20 cavaleiros.


“Ele se apresentou à prisão a fim de ser submetido a julgamento em processo que contra ele tinha sido instaurado e em que fora pronunciado por crime de morte. Submetido o processo a julgamento, foi absolvido e relaxado da prisão. Permaneceu então na cidade, com os indivíduos que tinham vindo em sua companhia e fez entrar na cidade avultado número de capangas recrutados nas matas de Caratinga e Peçanha. Com este séquito, ameaçou e afrontou as autoridades da comarca fazendo passear armados de carabina e garrucha seus companheiros e amigos”, diz um texto da prefeitura da época.


Controle das "fronteiras"

Com a cidade sob domínio do coronel, as fronteiras foram fechadas e o território tomado por capangas. O Governador do Estado, Crispim Jaques Bias Fortes, “enviou força policial de 25 praças que não chegaram a alcançar a região de Rio Casca, pois foi rechaçada. Mais tarde, novo contingente de cem homens foi enviado. Estes também não conseguiram penetrar, e, acabaram se deslocando para Carangola, onde tiveram a notícia de que Serafim Tibúrcio havia dominado a cidade e feito se aclamar governador ou presidente", relatou o texto da prefeitura.


O governador então pediu ao Presidente da República, Prudente de Moraes, o auxílio para derrotar as forças do Coronel Serafim. O presidente enviou soldados do Exército e houve mortes nos conflitos.

Ciente de que o número de soldados das tropas federais era bem maior que o de pessoas envolvidas com sua causa, “o coronel desiste de lutar e ordena aos revoltosos que partam em direção ao Estado do Espírito Santo”. Com isso, a República Manhuassu terminou em 3 de junho de 1896.


A morte de Serafim

O coronel Serafim Tibúrcio da Costa faleceu em 19 de novembro de 1919, de causas naturais, aos 68 anos, em Espera Feliz, a cerca de 70 quilômetros de Manuaçu. O caixão foi transportado por trem de ferro e, jornais da época, registram que o cortejo foi acompanhado por um grande número de pessoas.

Em 1977, ano do centenário de Manhuaçu, foi esculpido um busto em homenagem à memória do coronel, mas a obra ficou guardada durante muito tempo aos cuidados da Casa de Cultura.


Há alguns anos, o busto foi instalado na Praça Carlos Alberto de Castro, entre a Avenida Salime Nacif e a Rua Capitão Luiz Quintino de Souza, próximo ao Palácio da Cultura e à EE Antônio Wellerson, e lá permanece.


Atualmente, a Secretaria de Cultura e Turismo da Prefeitura de Manhuaçu, juntamente com o Conselho Municipal do Patrimônio Cultural, prepara o inventário para tombar como patrimônio histórico o busto do ex-chefe do Executivo Municipal. Também no Bairro Coqueiro, está situado a rua que recebeu o nome do coronel, segundo informações da Secretaria de Comunicação Social de Manhuaçu.


Fonte: Estado de Minas

Fotos: Secretaria de Comunicação Social de Manhuaçu/Divulgação